Artigos sobre #4

#4 / A primavera quando chega vem sempre de minissaia

15/07/2010 /

O mundo está em depressão. Obcecado pelas crises omnipresentes: económicas, ideológocas, psicológicas, políticas, artísticas. É importante lidar com este sentimento de forma construtiva. É inútil passar os dias a falar e lamentar o leite derramado sem agir. Na Umbigo a crise é apenas ruído de fundo. Continuamos com a mesma energia e persistência. Torna-se necessário reinventar os dias, pensar diferentemente os caminhos a percorrer, criar alternativas.

Não há dinheiro: é um facto. No entanto, uma postura inovadora pode contrariar esta crise, que também é de ideias. Basta não cair no entorpecimento. Neste sentido, o Estado, as empresas e a sociedade civil, em geral, têm um papel crucial. Quando as estratégias são imaginativas, suplantam as crises e semeiam riquezas futuras.

O entusiasmo com que escrevemos, desenhamos, fotografamos e concebemos estas páginas de prazer pensante é recompensado diariamente. Mesmo quando tudo parece adverso, a luta contra a inércia dá resultados.

Em Portugal parece que os caminhos da arte são cada vez mais atribulados. É complicado caminhar nestes sinuosos labirintos. Se a arte é o reflexo da evolução intelectual e espiritual de um país, parece não haver espaço suficiente para ela.

O mecenato é uma realidade virtual. A massificação e as tiragens inflacionadas são mais importantes do que os resultados. Neste contexto estamos claramente a remar contra a maré. Mas, como diz o povo, sabiamente, água mole em pedra dura… E nós furamos!
Depois de um #3 arriscado, grotesco e com uma conturbada visão do corpo, insistimos num optimismo nunca antes esmorecido. A Umbigo primaveril está…

…alegre: que sente ou causa alegria; contente; prazenteira; jubilosa; levemente embriagada; vistosa e garrida; faca recurva com que se fazem colheres de pau e com que se raspam os troncos das árvores que dão o látex (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora).