Uma pausa para um café, que nem é
preciso pedir, pois sou cliente habitual, uma rápida olhadela no
jornal. «Morreu Lygia Pape, uma artista da vanguarda brasileira».
O silêncio vence o barulho do café, uma lágrima contida.
Era 5 de Maio de 2004 e Lygia tinha morrido dois dias antes. Morrido?
Sobre a morte ela disse: «Medo? Eu não, tenho é curiosidade!
Só vou saber como é quando chegar lá», e em
1974 fez uma caixinha de televisão com uma caveira pintada que
ao ser agitada ria-se. Rir, rir contra a morte.[...]